Praticidade ou saúde? Veja como consumir alimentos enlatados sem correr riscos

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Apesar dos ingredientes in natura serem os mais recomendáveis, os processados vêm ganhando cada vez mais espaço na mesa dos brasileiros
Quando o assunto é tempo a resposta é quase unanime: correria. A vida moderna facilitou muitos processos, mas, em contrapartida, a possibilidade de gerenciar vários projetos simultâneos torna as pessoas cada vez mais ocupadas. A impressão que dá é de que 24 horas ainda é pouco para cumprir todas as tarefas, especialmente uma: cozinhar. É por isso que as redes de fast-foods e os pratos congelados fazem tanto sucesso atualmente. As pessoas estão em busca de praticidade e a indústria tenta atender essa demanda com uma vasta oferta de alimentos prontos para o consumo.
Frutas, peixes, vegetais e, até mesmo, refeições completas. Há uma infinidade de alimentos enlatados práticos e acessíveis nas gondolas de qualquer supermercado. É tanta facilidade que chega a ser tentador, não é mesmo? Mas será que esses produtos podem, de fato, substituir os ingredientes naturais? A dúvida da maioria das pessoas é em relação à qualidade desses alimentos. Segundo especialistas, existe sim algumas ameaças em torno desse consumo, no entanto, com os cuidados devidos é possível incorporá-los na dieta, esporadicamente, sem correr riscos.

Milho, palmito e peixes são os mais consumidos

Quando se trata de enlatados, a maior parte do público acredita que esses alimentos podem ajudar a compor uma refeição balanceada. De acordo com a pesquisa "Hábitos Alimentares do Brasileiro – preferências, dietas e tendências de consumo", que contou com 1.021 participantes de diversas regiões do país na edição de 2018, 56,2% dos consumidores acreditam nessa premissa e consomem tais alimentos. Por outro lado, 44% deles creem que os conservantes presentes nesses produtos prejudicam a dieta.
Ainda segundo o levantamento exclusivo, realizado pela Banca do Ramon, um dos empórios mais tradicionais do Mercado Municipal de São Paulo, dentre os enlatados citados, os que os entrevistados afirmaram comer com uma frequência maior, até mesmo, do que o próprio alimento in natura, são: o milho em conserva (27%), o palmito em conserva (25%), o atum enlatado (22%) e a sardinha enlatada (12%). Ainda que se tratem de grãos, legumes e peixes, estes alimentos são industrializados e merecem uma maior atenção na hora de compor as receitas.

Onde mora o perigo

Qualquer alimento que passe por um processo de industrialização precisa ser consumido com cautela. Eles merecem atenção redobrada, desde a hora das compras, quando o produto é escolhido, até a hora em que ele é utilizado na preparação dos pratos. Segundo a nutricionista Juliana Tomandl, consultora da Banca do Ramon, latas perfuradas, amassadas ou estufadas são sinais de perigo e, portanto, não devem ser consumidas. “É preciso dedicar uma atenção extra na escolha do produto, afinal, se houver indícios de furos, significa que os alimentos foram expostos à luz, umidade, poluição e a poeira acumulada no ambiente. Além disso, o material que constitui a lata pode se misturar com o ingrediente armazenado, deixando-o impróprio para o consumo”.

Aditivos químicos em excesso

A especialista explica que estes acidentes nas embalagens de lata podem prejudicar toda a qualidade do alimento e, consequentemente, provocar alergias, desconfortos ou danos intestinais. Já em relação às latas estufadas, Tomandl afirma que isso indica que o alimento entrou em processo de fermentação de micro-organismos e sofreu reações químicas inadequadas para o consumo.
Além disso, há outros fatores que contribuem para a má fama dos enlatados, um dele é o excesso de sal que, apesar de realçar o sabor, causa o aumento da pressão arterial e favorece a retenção de líquidos. No caso das frutas em calda, o açúcar usado é o maior agente nocivo à saúde, já que é capaz de causar picos de insulina no sangue e sobrecarregar o funcionamento do pâncreas – órgão responsável pela produção desse hormônio. Por isso, segundo a especialista, a calda dessas frutas enlatadas não deve ser consumida em hipótese alguma.
Isso sem falar nos conservantes e outros componentes químicos usados para preservar o sabor dos ingredientes. Para ajudar a minimizar esse fator, a dica da nutricionista é optar, sempre que possível, por aqueles que foram cozidos à vapor, pois esse método necessita de menos substâncias químicas. Mas não para por aí, há outros detalhes que merecem atenção para garantir mais segurança.

Como evitar os riscos

A evolução da ciência proporcionou o aprimoramento das técnicas de conservação e envase desses produtos, no entanto, a melhor versão ainda é a natural. Mas isso não quer dizer que o consumo de enlatados deve ser totalmente abolido da dieta. Eles ainda podem ser incorporados no cardápio, desde que alguns cuidados sejam tomados para minimizar ou evitar seus potenciais danos à saúde.
Segundo Tomandl é importante optar por marcas mais consolidadas no mercado, pois elas costumam seguir à risca as normas de fabricação, as regras do armazenamento e a quantidade segura de limite para a adição dos conservantes. “Dessa forma há mais chances de adquirir um produto com uma qualidade melhor, pois os índices de perda de nutrientes variam entre os fabricantes, portanto o ideal é investir em uma empresa de confiança” – explica a nutricionista.
Além disso, após adquirir alimentos enlatados é recomendável que as latas sejam higienizadas antes de serem abertas. “Esse procedimento simples diminui os riscos de contaminação por agentes externos e pode ser feito apenas com água corrente, esponja e sabão neutro. Antes de consumir também é indicado deixar o alimento escorrendo por alguns minutos, pois isso ajuda a reduzir o excesso de conservantes e aditivos químicos que podem conter no produto. E vale ressaltar que o liquido no qual a comida esteve armazenada deve ser totalmente descartado, já que ele está cheio de compostos químicos” afirma Tomandl.

Alternativas saudáveis

Do ponto de vista nutricional os alimentos frescos sempre saem na frente, assim como no sabor, afinal, os enlatados nunca poderão oferecer todo o potencial gastronômico do ingrediente. No entanto, quando pensamos em praticidade, esses itens ajudam a economizar um bom tempo na cozinha. Por isso, segundo a nutricionista é preciso saber dosar. Apesar dos enlatados não serem completos vilões, eles não devem fazer parte do cardápio regular. Eles devem ser consumidos eventualmente ou em situações emergenciais.
Tomandl explica que esses alimentos processados possuem valores nutricionais inferiores em comparação com os frescos, em alguns casos os índices de vitaminas e outras substâncias benéficas para o organismo caem pela metade. E muitos desses itens, que geralmente são consumimos com grande frequência, podem ser facilmente encontrados, e preparados, na versão in natura. Além disso é possível congelar alguns ingredientes para prolongar sua utilização, como é o caso das frutas, legumes e grãos, por exemplo.
Outra alternativa é fazer um planejamento semanal das refeições, preparando alguns alimentos coringas previamente, para compor o cardápio da semana. “Quem leva marmitas caseiras para o trabalho já está mais familiarizado com essas técnicas, mas isso pode ser aplicado para todas as refeições, inclusive o jantar. O feijão é um exemplo básico do que pode ser preparado em quantidade maior e congelado, mas os molhos de tomate, legumes, assados e outras receitas também podem ser armazenados no freezer para facilitar o dia a dia. Assim é possível ter sempre algo pronto quando o tempo estiver mais apertado” – finaliza a especialista.

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